Pai, nesse tempo que o senhor ficou internado muita coisa aconteceu, mas nada se resolveu. Acho que a vida tem dessas coisas né pai, a ruindade quando fica normal já tranquiliza. Como diz a Irmã Núbia, que ta me ajudando a bordar, só a morte é que não tem conserto. Divino voltou pra Edéia, e diz ele que mora sozinho. Ele fez um retrato do senhor com tinta, depois o Deco vai levar. Aquele sujeito que morava com ele deixou um bilhete dizeno que ia pro Tocantins e sumiu. Tem gente falando que o compadre Márcio vendeu cinco alqueiros de chão e deu o dinheiro pra ele em troca disso. O senhor se lembra daquele nosso probleminha antigo? O rapaz da clínica me falou que o senhor chorou por causa disso. Esquece pai, quanto mais a gente mexe na bosta, mais ela fede. Manda um abraço pra sua enfermeira Zilda e desculpa não te visitar, o Nego disse que era melhor pra sua cabeça. Abraço fraterno. Sua filha para sempre, Isaura.
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